Desenvolvimento de dosimetria por voxel aplicável à terapia com radionuclídeos

JW. De Amorim de Carvalho1, George Barberio Coura Filho1, Paulo Schiavom Duarte1, Carlos Alberto Buchpiguel2, Marcelo Tatit Sapienza2.1 - Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) - Brasil.2 - Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) - Brasil, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) - Brasil.

Resumo

Objetivo: Desenvolvimento de método de dosimetria por voxel. Métodos: Adquiridas imagens SPECT/CT e PET/CT de simulador com variação do posicionamento de fontes de 99mTc, 18F e 131I. Realizado coregistro das imagens sequenciais pelo software SPM-Statistical Parametric Mapping. Desenvolvido código de dosimetria em plataforma MATLAB para integrar atividade acumulada por voxel (Ã), estimar dose de radiação por kernel, e salvar imagens paramétricas de dose no formato DICOM, permitindo visualização direta e definir doses em volumes de interesse. A dose estimada pelo método foi comparada a dosimetria padrão (OLINDA/EXM) e dosimetria termoluminescente (TLD) em simulador com 131I e a seguir empregada para análise de dose em estudos de pacientes com 68Ga-DOTATATE e 177Lu-DOTATATE. Resultados: A estimativa de dose em simulador com 131I pelo método proposto foi 12% inferior ao OLINDA/EXM e similar ao TLD (12,0 vs 13,7 vs 12,5 Gy). As doses estimadas nos pacientes foram condizentes com a literatura científica. Conclusão: O código desenvolvido permite estimar a dosimetria por voxel com base em imagens PET/CT ou SPECT/CT de pacientes.


Abstract


Objective: Development of a voxel-based dosimetric method. Methods: SPECT/CT and PET/CT images were acquired using 99mTc, 18F and 131I phantoms. Co-registration was performed with SPM-Statistical Parametric Mapping software. A dosimetry code was developed in MATLAB to: integrate cumulated activity (Ã) per voxel, estimate radiation absorbed dose - RAD (Gy) using dose-point kernel, save parametric RAD images in DICOM format, allowing direct visualization and volumes of interest analysis. The dose estimated by the method in a simulator with 131I was compared to standard dosimetric method (OLINDA/EXM) and thermoluminescent dosimetry (TLD) and the method was then used to analyze radiation dose in 68Ga-DOTATATE and 177Lu-DOTATATE studies with patients. Results: The radiation absorbed dose estimated in the 131I simulator by the proposed method was 12% lower than the OLINDA/EXM software and similar to the TLD dosimetry (12.0 vs 13.6 vs 12.0 Gy). Estimated doses in patients were consistent with scientific literature. Conclusion: The developed code allows estimating radiation doses based on voxel dosimetry applied to PET/CT or SPECT/CT images.

Introdução

A terapia com radionuclídeos é procedimento médico reconhecido há mais de 70 anos, com destaque para a iodoterapia com iodo-131 (131I) do hipertireoidismo e do carcinoma de tireoide(1). Tratamentos com outros radionuclídeos e radiofármacos são indicados em situações específicas, com crescente respaldo em ensaios clínicos, o que deve levar a uma ampliação de seu uso(2-4). A atividade de radionuclídeos empregada com finalidade terapêutica é quase sempre determinada de forma empírica. Os estudos de dosimetria como parte do planejamento em sua maioria são voltados à restrição de dose que leve a radiotoxicidade, com poucos estudos dedicados a avaliação de dose tumoral(5). Apesar de alguns Serviços de Medicina Nuclear (SMNs) adotarem medidas de dosimetria para controle de radiotoxicidade, não é do conhecimento dos autores que algum SMN no Brasil realize dosimetria tumoral no planejamento da terapia com radionuclídeos.

A dosimetria para procedimentos terapêuticos deve basear-se na mensuração de doses de radiação que levam a efeitos determinísticos, tais como a morte celular, determinadas individualmente para cada paciente, de forma a permitir um ajuste da atividade que produza o efeito terapêutico no tumor e minimize a toxicidade em tecidos sadios. O programa computacional de dosimetria interna mais aceito é o OLINDA/EXM®, validado em 2004 nos EUA pelo Food and Drug Administration (FDA) para calcular doses absorvidas de radiação recebidas por pacientes após a incorporação de radiofármacos(6). A dosimetria pelo OLINDA/EXM é utilizada principalmente para estimar a dose de radiação recebida pelos diferentes órgãos internos e corpo inteiro do paciente em estudos diagnósticos, podendo esta dose ser associada a informações epidemiológicas para estimativa de risco de efeitos estocásticos, tais como a carcinogênese. A principal limitação desta abordagem para o planejamento da terapia com radionuclídeos decorre da utilização de modelos geométricos em que se considera que as atividades de radionuclídeos medidas no paciente assumem uma distribuição padrão e homogênea dentro de cada órgão.

A utilização de parâmetros de biodistribuição, cinética, morfologia e geometria dos órgãos e tumores do próprio paciente é importante para o cálculo dosimétrico em terapia. Estes dados podem ser obtidos em imagens tridimensionais como o SPECT/CT ou PET/CT, adquiridas de forma sequencial ao longo do período de acúmulo e eliminação do radiofármaco. A quantificação de imagens combinando tanto a anatomia quanto o grau de funcionalidade de cada órgão permite trazer uma maior precisão na definição anatômica e também na quantificação da atividade residente no órgão estudado, o que pode se traduzir em uma dosimetria mais apurada e em uma melhor correlação entre a dose absorvida de radiação e a resposta biológica do volume irradiado(7).

Apesar de existirem métodos de dosimetria volumétrica em desenvolvimento no mundo(7,8,9) não existe ainda um método de dosimetria volumétrica disponível clinicamente. Desta forma, o objetivo do presente trabalho foi o desenvolvimento de um método de dosimetria interna volumétrica aplicável na prática clínica para estudos diagnósticos e planejamento da terapia com radionuclídeos.

Métodos

Etapa 1- coregistro de imagens com simulador

O simulador empregado consistia em estrutura acrílica medindo 33,0 x 22,5 x 10,0 cm (comprimento, largura e altura), preenchido com 1000 mL de água contendo 185 MBq (5 mCi) de 18F-FDG para aquisição PET e 99mTc-pertecnetato para SPECT (0,185 MBq/mL). Quatro fontes contendo 37 MBq (1 mCi) do mesmo radionuclídeo, diluídos em 4 mL (9,25 MBq/mL) foram posicionadas em distâncias padronizadas no interior do simulador em configuração basal (Fig. 1).

Figura 1. Configuração basal das fontes (setas) no simulador.
Figura 1. Configuração basal das fontes (setas) no simulador.

O posicionamento da configuração basal foi modificado por rotação (5º, 10º e 20º) e deslocamento (3, 5 e 10 cm) de todo o simulador. Também foi modificada a posição relativa entre as fontes, com deslocamento de uma única fonte (2, 3 e 5 cm, nos eixos X, Y e Z) ou de duas fontes simultaneamente (1, 2, 3 e 5 cm). Também foram realizadas aquisições de imagens variando a concentração de uma das fontes para 50% e 66% do basal.

A aquisição na configuração basal e em cada uma das posições modificadas foi realizada com os mesmos parâmetros. As imagens PET com 18F foram adquiridas em equipamento PET/CT Discovery 690 (GE HealthCare, WI, USA), em 1 bed position durante 1 minuto. As imagens SPECT com 99mTc foram adquiridas em equipamento SPECT/CT Symbia T16 (Siemens Healthcare, Illinois, USA), com 120 passos e duração total de 2 minutos. Em ambos os casos a tomografia computadorizada (CT) empregada para correção de atenuação foi realizada com 120 kV e 30 mAs.

Após reconstrução iterativa utilizando Ordered Subset Expectation Maximization (OSEM), com correção de atenuação baseado na CT e correção de espalhamento por janela tríplice, as imagens foram convertidas do formato DICOM para Analyze pelo software de acesso livre MRIcro. O programa SPM-Statistical Parametric Imaging foi empregado para coregistro elástico e inelástico das imagens, com posicionamento modificado para a mesma coordenada XYZ da imagem basal. As imagens processadas foram avaliadas por 2 médicos nucleares experientes, atribuindo notas de 0 a 10 por critérios de correção de posição, atividade e concentração; consideradas satisfatórias se nota ≥ 9.


Etapa 2- Avaliação da dose em simulador


Realizou-se estudo com simulador contendo duas fontes esféricas de 5 cm de diâmetro preenchidas com 255 mL de água e 74 MBq (2 mCi) de 131I. No centro de cada uma das fontes esféricas fixou-se um dosímetro termoluminescente (TLD) calibrado pelo fabricante (PRO-RAD, Rio Grande do Sul, Brasil) e revestido com película impermeabilizante.

Aquisição SPECT realizada em SPECT/CT Symbia T16 (Siemens Healthcare), com 120 passos e duração total de 5 minutos, 0, 7 dias, 14 dias e 21 dias após o preenchimento do simulador. Em cada intervalo foram realizadas imagens com as fontes em distâncias de 10, 12 e 15 cm entre elas. Realizadas correção de espalhamento e de atenuação, seguida da conversão para formato Analyze e coregistro pelo programa SPM de forma similar a etapa 1.

Elaborado código NMdose-VX, para dosimetria nas imagens SPECT/CT em plataforma MATLAB. As principais etapas de processamento definidas foram: leitura das imagens volumétricas coregistradas no formato Analyze; conversão por fator de calibração das imagens para atividade por voxel (MBq); cálculo da integral da atividade por voxel pelo método do trapezoide, resultando no mapa de atividade acumulada (Ã) por voxel; multiplicação do mapa da à por fatores kernel ou deposição de energia local (LED), para obtenção do mapa de dose de radiação por voxel (Gy); reconversão das imagens paramétricas de dose do formato Analyze para DICOM, permitindo análise em software OsiriX (freeeware) e OsiriX MD.

A dose de radiação obtida pelo código NMdose-VX foi comparada com os valores registrados pelos TLDs inseridos nas fontes e também com os valores obtidos com o programa OLINDA/EXM, considerado como método padrão(6).


Etapa 3- Avaliação da dose em pacientes


O código NMdose-VX foi aplicado na dosimetria por voxel em estudos PET e SPECT de pacientes. A dosimetria PET foi estimada em 10 pacientes que realizaram de 2 a 4 PET/CTs entre 5 minutos até 4 horas após a administração de 111 MBq (5 mCi) de 68Ga-DOTATATE. A dosimetria SPECT foi estimada em 5 pacientes que realizaram de 3 a 4 SPECT/CTs sequenciais entre 4 horas e 10 dias após a administração de 7400 MBq (200 mCi) de 177Lu-DOTATATE.

As imagens DICOM geradas pelo código NMdose-VX foram abertas no software Osirix, em que se definiram volumes de interesse (VOIs) para estimativa de dose média (Gy) em órgãos de captação fisiológica e tumores.

Este estudo foi realizado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do ICESP e da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido por parte dos pacientes participantes.

Resultados

O coregistro de imagens do simulador pelo SPM foi adequado nas aquisições PET e SPECT, exceto nos casos em que uma única ou duas fontes foram deslocadas acima de 3 cm. A nota média da avaliação das imagens PET foi de 9,6 (±1,1) e SPECT de 9,3 (±1,7), (Fig. 2).

Figura 2. Coregistro elástico: imagem basal (A) empregada como referência para ajustar imagem em que a fonte superior esquerda foi deslocada (B), resultando na imagem corrigida (C)
Figura 2. Coregistro elástico: imagem basal (A) empregada como referência para ajustar imagem em que a fonte superior esquerda foi deslocada (B), resultando na imagem corrigida (C)

Na etapa 2, a dose estimada na esfera preenchida com 131I foi de 12 Gy, concordante com o valor obtido por dados diretos do dosímetro TLD (média =12,5 Gy) e 12% inferior a dose calculada pelo programa padrão OLINDA/EXM (13,7 Gy).

A conversão das imagens paramétricas de dose (Gy) para formato DICOM permitiram a sua abertura no programa de processamento de imagem OsiriX e OsiriX MD, com a possibilidade de fusão à CT e definição de VOIs em órgãos de captação fisiológica e em tumores (Fig. 3).

Figura 3. Cortes coronais da imagem paramétrica de dose (Gy) + fusão com CT pelo programa Osirix de paciente submetido à terapia com 177Lu-DOTATATE. Volume de interesse definido sobre o rim para cálculo da dose de 3,8 Gy.
Figura 3. Cortes coronais da imagem paramétrica de dose (Gy) + fusão com CT pelo programa Osirix de paciente submetido à terapia com 177Lu-DOTATATE. Volume de interesse definido sobre o rim para cálculo da dose de 3,8 Gy.

Os intervalos das aquisições e as doses nas estruturas analisadas nos estudos PET com 68Ga-DOTATATE e SPECT com 177Lu-DOTATATE são apresentados nas Tabelas 1 e 2.

Tabela 1- Doses de radiação estimadas em estudos com 68Ga-DOTATATE

Paciente

Intervalos das imagens - PET/CT [minutos]

Dose de Radiação Absorvida [mGy/mCi]

Rim 

Baço

Figado

1

19, 68, 129

5,1

6,7

3,2

2

12, 69, 118

3,9

5,4

2,3

3

10, 22, 103

2,9

6,9

1,9

4

36, 58, 139

4,6

9,3

2

5

34, 81, 143

3,2

6,5

1,9

6

20, 74, 122

3,3

10,3

2

7

16, 82, 120

3,5

6

2

8

33, 71

3,6

8,1

1,7

9

11, 63, 245

3,8

8,9

2,4

10

5, 66

2,4

2,9

1,2

Média

 

3,6

7,1

2,1

D.P.

 

0,8

2,2

0,5

D.P. = Desvio Padrão

Tabela 2- Doses de radiação estimadas após terapia 177Lu-DOTATATE

Paciente

Intervalos das imagens - SPECT/CT [minutos]

Dose de Radiação Absorvida [mGy/mCi]

Rim 

Baço

Tumor hepático

1

4, 10, 24, 240

5,6

7,8

20,1

2

4, 10, 24

20,3

23,1

15,3

3

4, 10, 24

21,2

17,4

17,4

4

4, 10, 24, 240

8,4

6,8

73,7

5

4, 10, 24, 240

3,8

5,4

21,4

Média

 

11,9

12,1

29,6

D.P.

 

8,3

7,8

24,8

D.P. = Desvio Padrão

Discussão

O presente estudo demonstra a possibilidade de coregistro e ajuste elástico ou inelástico de imagens com o uso de programas computacionais de acesso livre, como o SPM. O código desenvolvido permite que, a partir de imagens SPECT/CT ou PET/CT sequenciais coregistradas, se apliquem cálculos matriciais para obtenção de imagens paramétricas de atividade acumulada e de dose de radiação absorvida. A possibilidade de leitura destas imagens em formato DICOM favorece a incorporação desta metodologia na prática clínica.

As doses nas estruturas analisadas encontradas nos estudos diagnósticos com 68Ga-DOTATATE e na terapia com 177Lu-DOTATATE foram condizentes com os dados de literatura científica ajustados para dose por atividade administrada (Gy/MBq)(10,11). Dentre os pacientes tratados com 177Lu, dois casos em que as imagens foram adquiridas em intervalos inferiores a 24 horas apresentaram estimativas de dose renal e esplênica muito elevadas, o que reforça a necessidade de imagens tardias (10 dias nos demais 3 pacientes) para adequado ajuste da meia-vida efetiva.

O cálculo dosimétrico em Medicina Nuclear e seu emprego para planejamento terapêutico é uma prática de exceção no Brasil e no mundo. Mesmo nos poucos casos em que é realizado, o planejamento terapêutico dosimétrico é limitado. Estudos clínicos baseados em dosimetria de tumores que estabeleçam o método de cálculo e dose de radiação adequada para erradicação de alvos tumorais são raros(12). A aplicação mais definida da dosimetria no planejamento em nosso meio é a redução do risco de radiotoxicidade, sendo o órgão crítico definido de acordo com o radiofármaco (ex.: medula óssea para o 131I-NaI e rins para o 177Lu-DOTATATO). O protocolo desenvolvido por Benua e Leeper na década de 60 para limitar a dose na medula óssea (< 2 Gy) e a atividade retida pelo pulmão (< 80-120 mCi em 48 h) durante a radioiodoterapia do carcinoma diferenciado de tireoide(13-16), também chamado de “Protocolo de Atividade Máxima Segura”, prossegue como uma das poucas situações em que a dosimetria é aplicada no planejamento terapêutico. Ressalta-se que este protocolo não leva em consideração a massa, volume e concentração do radioiodo em tumores, não se propondo a determinar a dose nestes tecidos.

A maioria das justificativas para o número reduzido de planejamentos terapêuticos em Medicina Nuclear encontra-se vinculada aos fatores históricos da própria terapia com radiofármacos, estabelecida em bases empíricas, bem como às dificuldades de implantação de protocolos dosimétricos na rotina clínica, devido à complexidade no processo e falta de métodos padronizados. Apesar das justificativas serem válidas, o estabelecimento de ferramentas dosimétricas traz a possibilidade de melhor padronização das atividades de radioisótopos administradas com base na dose absorvida e resposta biológica pretendida, que não deveria ser negligenciada.

Além do desenvolvimento de protocolos de dosimetria clínica de menor custo e de fácil implantação, a aplicação clínica da dosimetria depende da comprovação de seus benefícios como ferramenta de planejamento terapêutico, isto sendo obtido por estudos que investiguem se o conhecimento da dose de radiação tumoral ou em órgãos críticos se traduz em melhor prognóstico e qualidade de vida dos pacientes.

O presente trabalho mostra que é possível o desenvolvimento de ferramentas práticas de dosimetria por voxel. A implantação clínica da dosimetria interna poderá vir a aprimorar o planejamento individualizado de terapia com radionuclídeos, com a indicação de atividades para controle tumoral mais efetivo e com menor radiotoxicidade.

Agradecimentos

Programa de Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em Saúde (PPSUS) do Decit/SCTIE/MS, por intermédio do CNPq, com apoio da FAPESP e da SES-SP. Processo FAPESP: 2014/50091-5.

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