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Metástases pulmonares de um meningioma: uso da cintilografia com 111-Índio Octreotídeo

Discussão

Meningiomas surgem entre 20 e 60 anos de idade; a maioria desses tumores sugere comportamento benigno com crescimento lento e com análise histopatológica correspondendo a World Health Organization (WHO) grau I. Meningiomas atípico (WHO grau II) e anaplásico (WHO grau III), contudo, manifestam natureza agressiva com risco aumentado para recorrência local e prognóstico reservado(4,8). O paciente em questão apresentou meningioma atípico (WHO grau II) com comportamento metastático; apesar do tratamento apropriado, ele sofreu quatro recorrências locais. 111In-Oct SPECT/CT mostra claramente a última.

As metástases extra-cranianas são raras; são descobertas incidentalmente, ocorrendo aproximadamente em 1:1000 dos casos associadas a largas lesões intra-cranianas. Os sítios mais comuns são pulmões (60%), fígado (34%) e linfonodos cervicais (18%). Propagam-se através de veias, cadeias linfáticas, e líquido cefalorraquidiano. Foi reportado que a excisão cirúrgica pode favorecer disseminação sanguínea e linfática por permitir acesso as células tumorais ao sangue e aos vasos linfáticos. As lesões intracranianas extensas tem mais propensão a metastizar(3,9). As metástases pulmonares se apresentam como lesões únicas ou como múltiplos nódulos não calcificados. São incomuns, representando um diagnóstico desafiador uma vez que são, na maioria dos casos, assintomáticas(8,10).

Nosso paciente possuía uma lesão intracraniana extensa (47x30x27mm) com metástase pulmonar assintomática. A massa pulmonar foi descoberta incidentalmente durante investigação pré-operatória; uma biópsia pulmonar guiada por CT revelou meningioma atípico. 111In-Oct SPECT/CT caracterizou a massa pulmonar, confirmando, ainda, recorrência local e envolvimento linfonodal.

A somatostatina se liga a todos subtipos de receptores SSRT, enquanto octreotídeo se liga apenas aos subtipos SSRT 2 e 5. Estudos in vitro e in vivo mostraram que meningiomas são ricos em receptores SSRT, expressando-os em todos os casos. A densidade e a distribuição homogênea desses receptores são a base para 111In-Oct SPECT/CT, a qual é vantajosa em acrescentar informação complementar àquela obtida através da RNM e da TC. Nathoo et al5 compara 111In-Oct SPECT/CT à RNM e à 18F-fluorodeoxyglucose positron emission tomography (18F-FDG-PET), objetivando diferenciar meningiomas de outras lesões intracranianas. Além disso, 111In-Oct SPECT/CT pode ser proveitosa em diferenciar cicatriz pós-operatória de restos locais ou de meningioma recidivante; RM e CT geralmente falham em diferenciá-los. Quando comparada com RM, todos os pacientes com imagem positiva tiveram 100% de concordância. Quando comparadas FDG-PET e RM, a concordância cai para 66%, mas a clássica imagem de um meningioma benigno é captar octreotídio e apresentar metabolismo insignificante de FDG-PET.

A modalidade SPECT/CT utilizando 111In-Oct é usualmente empregada em combinação com outros métodos de imagem(2,5,6). É essencial incluir não apenas a região da cabeça, mas todo o corpo ao se realizar 111In-Oct SPECT/CT, objetivando descobrir raras e possíveis lesões metastáticas, uma vez que essas lesões conservam muitas características do tumor primário. 111In-Oct SPECT/CT é considerada uma técnica potencialmente útil, eficiente, simples, não invasiva e ambulatorial, a qual não apresenta efeitos colaterais para o paciente(11,12).